sábado, 3 de junho de 2017

A respeito de contas na Suíça

2 DE JUNHO DE 2017

Sobre a reportagem publicada hoje pelo O Estado de S.Paulo, a Assessoria de Imprensa de Dilma Rousseff esclarece:

É fantasiosa a versão de que a presidenta eleita Dilma Rousseff seria beneficiária de conta na Suíça, ainda mais sob a titularidade do senhor Joesley Batista, que movimentaria recursos a seu bel prazer. Ela nega que tenha recebido qualquer benefício pessoal do empresário, ainda mais financeiro. Essa versão não se sustenta e sua falsidade será atestada na Justiça. Dilma Rousseff jamais teve contas no exterior.

ASSESSORIA DE IMPRENSA
DILMA ROUSSEFF

terça-feira, 23 de maio de 2017

Gravação da PF: conversa entre Reinaldo Azevedo, da Veja, e Andrea Neves




Andrea Neves - Tudo bem e você?

Reinaldo Azevedo - Se eu não aguento mais, imagino vocês...

Andrea Neves - Virou uma salada de frutas, um negócio maluco.

Andrea Neves - Aí aparece uma história maluca, que já tinha aparecido um mês atrás mais ou menos naquele site BuzzFeed, dessa conta do Accioly em Cingapura. Que era, em tese, o mesmo dinheiro da minha em Nova York, que é o tal dinheiro da [usina] Santo Antônio. É essa coisa mágica, que ninguém consegue explicar, porque que o Aécio poderia ganhar uma bolada desse tamanho numa obra que é do governo federal. [...]

[O assunto então muda para a Veja. A revista havia publicado, na capa, que a delação da Odebrecht trataria o pagamento de propina a Aécio em Nova York, numa conta em nome da irmã Andrea. Esta suposta conta que Veja atribuiu a Andrea Neves nos EUA nunca apareceu.]

Com a divulgação pelo Supremo da delação de Henrique Valladares, citada na reportagem de capa, os dois passam então a criticar a revista.

Andrea Neves - Agora, que está acontecendo na Veja, o que o pessoal fez…

Reinaldo Azevedo - Ah, eu vi. É nojento, nojento. Eu vi.

Andrea Neves - Assinaram todos os jornalistas e vão pegar a loucura desse cara para esquentar a maluquice contra mim.

Reinaldo Azevedo - Tanto é que logo no primeiro parágrafo, a Veja publicou no começo de abril que não sei o que, na conta de Andrea Neves. Como se o depoimento do cara endossasse isso. E ele não fala isso.

Andrea Neves - Como se agora tivesse uma coleção de contas lá fora e a minha é uma delas.

Reinaldo Azevedo - Eu vou ter de entrar nessa história porque já haviam me enchido o saco. Vou entrar evidentemente com o meu texto e não com o deles. Pergunto: essas questões que você levantou para mim, posso colocar como se fosse resposta do Aécio?

Andrea Neves - Nós mandamos agora para a Veja uma nota para botar nessa matéria.

Reinaldo Azevedo - Não quer mandar para mim também?

Andrea Neves - Mando.

[A irmã do senador e Reinaldo Azevedo começam então a criticar a Lava Jato. Ela afirma que a Procuradoria-Geral da República separou investigações contra Aécio para que ele fosse considerado o campeão de inquéritos.]

Andrea Neves - Você tem vários casos, todos juntados. Como eles queriam que o Aécio aparecessem como campeão de inquéritos…

Reinaldo Azevedo - Sim, esse era o objetivo.

Andrea Neves - [...] É inacreditável, é uma covardia.

Reinaldo Azevedo - [...] É incrível, a Odeberecht agora virou a grande selecionadora de quem sobrevive e morre na política. A Odebrecht nunca teve tanto poder. É asqueroso. Me manda esse levantamento, me interessa, sim.

[O levantamento citado no diálogo é uma compilação dos inquéritos que, segundo Andrea Neves, mostraria que Janot adotou um critério de caixa dois para os citados e outros para Aécio.

Entre os dias 13 e 14 de abril, foram dois textos publicados pelo jornalista sobre o tucano. O primeiro relata as acusações da Odebrecht e a posição da defesa. Já o segundo texto é em tom similar à conversa com Andrea Neves: "Janot aplica a Aécio critério de exceção, e inquéritos procriam!"

No final do diálogo gravado, há ainda uma crítica a Janot.]

Reinaldo Azevedo - A gente precisa ter elementos objetivos de um certo senhor mineiro aí, cuidando da candidatura dele ou à presidência ou ao governo do Estado.

Andrea Neves - Como assim?

Reinaldo Azevedo - o nosso procurador-geral.

Andrea Neves - Você está achando?

Reinaldo Azevedo - Ôxi.. fiquei sabendo que está tendo conversas. Eu só preciso ter gente que endosse isso de algum jeito. Ter um pouco mais de elementos concretos. Que ele está, está. Presidência talvez não, mas o governo de Minas, sim.

[Andrea Neves cita, em tom de chacota, a presidente do Supremo Tribunal Federal, Carmen Lúcia. Ela é mineira.]

Andrea Neves - Vai disputar com a Carminha (risos).

Reinaldo Azevedo - Ah, deve ser né. Sua prima (risos).

[A conversa se encerra.
No dia seguinte, a Polícia Federal registra novo diálogo. A gravação, contudo, registra uma conversação truncada, com as vozes dos dois se sobrepondo, logo no início da chamada. Reinaldo Azevedo e Andrea Neves declamam poemas um para o outro.

Primeiro, o jornalista cita o poeta Cláudio Manoel da Costa. “É um poema lindíssimo que ele fala justamente de uma coisa que eu constatei quando fui a Belo Horizonte. A cidade cercada de montanhas. E aí ele diz assim: essas montanhas poderiam ter endurecido o coração. Mas não, tiveram efeito contrário".

Andrea Neves declama então um trecho que havia decorado na infância: "Bárbara bela, do Norte estrela, que o meu destino sabes guiar, de ti ausente, triste, somente as horas passo a suspirar".

De repente, Andrea Neves corta o papo: ]

Andrea Neves - Reinaldo, posso te ligar num segundo? É que nós estamos com um problemão agora com o Jornal Nacional...

Resposta de Reinaldo Azevedo à gravação feita pela PF de conversa sua com Andrea Neves

"Pela ordem:

Comecemos pelas consequências.

Pedi demissão da VEJA. Na verdade, temos um contrato, que está sendo rompido a meu pedido. E a direção da revista concordou.

1: não sou investigado;

2: a transcrição da conversa privada, entre jornalista e sua fonte, não guarda relação com o objeto da investigação;

3: tornar público esse tipo de conversa é só uma maneira de intimidar jornalistas;

4: como Andrea e Aécio são minhas fontes, achei, num primeiro momento, que pudessem fazer isso; depois, pensei que seria de tal sorte absurdo que não aconteceria;

5: mas me ocorreu em seguida: "se estimulam que se grave ilegalmente o presidente, por que não fariam isso com um jornalista que é critico ao trabalho da patota.

6: em qualquer democracia do mundo, a divulgação da conversa de um jornalista com sua fonte seria considerado um escândalo. Por aqui, não.

7: tratem, senhores jornalistas, de só falar bem da Lava Jato, de incensar seus comandantes.

8: Andrea estava grampeada, eu não. A divulgação dessa conversa me tem como foco, não a ela;

9: Bem, o blog está fora da VEJA. Se conseguir hospedá-lo em algum outro lugar, vocês ficarão sabendo.

10: O que se tem aí caracteriza um estado policial. Uma garantia constitucional de um indivíduo está sendo agredida por algo que nada tem a ver com a investigação;

11: e também há uma agressão a uma das garantias que tem a profissão. A menos que um crime esteja sendo cometido, o sigilo da conversa de um jornalista com sua fonte é um dos pilares do jornalismo".

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Conversa entre Aécio Neves e Joesley Batista, da JBS

‘TEMOS DOIS CARAS FRÁGEIS’

Aécio — Esses vazamentos, essa porra toda, é uma ilegalidade.

Joesley — Não vai parar com essa merda?

Aécio — Cara, nós tamos vendo (…) Primeiro temos dois caras frágeis pra caralho nessa história é o Eunício [Oliveira, presidente do Senado] e o Rodrigo [Maia, presidente da Câmara], o Rodrigo especialmente também, tinha que dar uma apertada nele que nós tamos vendo o texto (…) na terça-feira.

Joesley — Texto do quê?

Aécio — Não… São duas coisas, primeiro cortar o pra trás (…) de quem doa e de quem recebeu.

Joesley — E de quem recebeu.

Aécio — Tudo. Acabar com tudo esses crimes de falsidade ideológica, papapá, que é que na, na, na mão [dupla], texto pronto nãnã. O Eunício afirmando que tá com colhão pra votar, nós tamo (sic). Porque o negócio agora não dá para ser mais na surdina, tem que ser o seguinte: todo mundo assinar, o PSDB vai assinar, o PT vai assinar, o PMDB vai assinar, tá montada. A ideia é votar na… Porque o Rodrigo devolveu aquela tal das Dez Medidas, a gente vai votar naquelas dez… Naquela merda das Dez Medidas toda essa porra. O que eu tô sentindo? Trabalhando nisso igual um louco.

Joesley — Lógico.

Aécio — O Rodrigo enquanto não chega nele essa merda direto, né?

Joesley — Todo mundo fica com essa. Não…

Aécio — E, meio de lado, não, meio de leve, meio de raspão, né, não vou morrer. O cara, cê tinha que mandar um, um, cê tem ajudado esses caras pra caralho, tinha que mandar um recado pro Rodrigo, alguém seu, tem que votar essa merda de qualquer maneira, assustar um pouco, eu tô assustando ele, entendeu? Se falar coisa sua aí… forte. Não que isso? Resolvido isso tem que entrar no abuso de autoridade… O que esse Congresso tem que fazer. Agora tá uma zona por quê? O Eunício não é o Renan.

Joesley — Já andaram batendo no Eunício aí, né? Já andaram batendo nas coisas do Eunício, negócio da empresa dele, não sei o quê.

Aécio — Ontem até… Eu voltei com o Michel ontem, só eu e o Michel, pra saber também se o cara vai bancar, entendeu? Diz que banca, porque tem que sancionar essa merda, imagina bota cara.

Joesley — E aí ele chega lá e amarela.

Aécio — Aí o povo vai pra rua e ele amarela. Apesar que a turma no torno dele, o Moreira [Franco], esse povo, o próprio [Eliseu] Padilha não vai deixar escapulir. Então chegando finalmente a porra do texto, tá na mão do Eunício.

(…)

Ministro da Justiça é “um bosta de um caralho”, diz Aécio.

Joesley — Esse é bom?

Aécio — Tá na cadeira (…). O ministro é um bosta de um caralho, que não dá um alô, peba, está passando mal de saúde pede pra sair. Michel tá doido. Veio só eu e ele ontem de São Paulo, mandou um cara lá no Osmar Serraglio, porque ele errou de novo de nomear essa porra desse (…). Porque aí mexia na PF. O que que vai acontecer agora? Vai vim um inquérito de uma porrada de gente, caralho, eles são tão bunda mole que eles não (têm) o cara que vai distribuir os inquéritos para o delegado. Você tem lá cem, sei lá, 2.000 delegados da Polícia Federal. Você tem que escolher dez caras, né?, do Moreira, que interessa a ele vai pro João.

Joesley — Pro João.

Aécio — É. O Aécio vai pro Zé (…)

[Vozes intercaladas]

Aécio — Tem que tirar esse cara.

Joesley — É, pô. Esse cara já era. Tá doido.

Aécio — E o motivo igual a esse?

Joesley — Claro. Criou o clima.

Aécio — É ele próprio já estava até preparado para sair.

Joesley — Claro. Criou o clima.

Gravação de conversa entre Michel Temer e Joesley Batista, da JBS

O arquivo de áudio tem duração de 39 minutos com conversas entre um dos donos da JBS, Joesley Batista, e o presidente Michel Temer.

Transcrição

Joesley Batista: Queria te ouvir um pouco, presidente. Como tá nessa situação toda, Eduardo, não sei o que, Lava Jato.

Michel Temer: O Eduardo resolveu me fustigar. Você viu que... Eu não tenho nada a ver com a defesa. O Moro indeferiu 21 perguntas dele, eu não tenho nada a ver com a defesa dele. Eu não fiz nada [inaudível].

Joesley: Eu queria falar assim. Dentro do possível, eu fiz o máximo que deu ali, zerei tudo, o que tinha de alguma pendência daqui para ali, zerou tudo. E ele foi firme em cima e já estava lá, veio, cobrou, tal, tal, tal. Pronto. Acelerei o passo e tirei da fila. O único companheiro dele que está aqui, porque o Geddel sempre estava [inaudível] Geddel é que andava sempre ali, mas o Geddel eu perdi o contato, porque ele está investigado e eu não posso encontrar ele. [...] O que que eu mais [...] O negócio dos vazamentos, [inaudível] Eu to lá me defendendo. Como é que eu, o que eu mais ou menos consegui fazer até agora. Eu estou de bem com o Eduardo...

Temer: Tem que manter isso, viu...

Joesley: Todo mês, também, eu estou segurando as pontas, estou indo. Esse processo, eu estou meio enrolado, assim, no processo [inaudível]...

Joesley: É investigado. Eu não tenho ainda denúncia. Então, aqui eu dei conta de um lado do juiz, então eu dei uma segurada, do outro lado do juiz substituto que é um cara que ficou...

Temer: Está segurando os dois...

Joesley: É, estou segurando os dois. Então eu consegui dentro da força tarefa que também tá me dando informação. E lá que eu estou para dar conta de trocar o procurador. Se eu der conta tem o lado bom e o lado ruim...

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Nota da Frente Brasil de Juristas pela Democracia (FBJD)

nota da FBJD:

A Frente Brasil de Juristas pela Democracia (FBJD) intransigente na defesa do Estado Democrático de Direito e reiterando preocupação com o resguardo do “justo processo” para todos e, em especial, para o ex Presidente Lula no âmbito da Operação Lava Jato, vem a público ALERTAR sobre a necessidade de que a gravação do depoimento remarcado para o dia 10/05 seja ampla de modo a proteger a defesa e não frustrar o propósito legal de dar a conhecer a totalidade da dinâmica da audiência, formada por acusação, defesa e juízo. 

A forma pela qual as gravações têm sido feitas, centrando o registro apenas na imagem fixa e nas respostas do depoente, somando-se aos vazamentos seletivos, fere o sentido da prerrogativa legal do registro fidedigno e pode dar azo a alegações de cerceamento de defesa.

O registro audiovisual dos atos processuais de forma ampla, irrestrita, capaz de transmitir o momento da audiência na sua totalidade, é garantia para ampla defesa e contraditório, com o fim de evitar que as audiências sejam instrumento de abuso contra o próprio acusado em posição vulnerável, maculando o rito processual e o sentido de justiça.

Carta aberta à senhora Miriam Leitão

Carta aberta à senhora Miriam Leitão

Prezada senhora Miriam Leitão.

Em texto publicado nesta quinta-feira (11 de maio), a senhora, autora do prefácio do livro do procurador Deltan Dallagnol, finge familiaridade com o processo sobre o 'tríplex do Guarujá' que corre na Justiça Federal do Paraná, a fim de emitir pretensas avaliações jurídicas para seus leitores. Ao fazê-lo, porém, comete erros factuais básicos, que inviabilizam as suas conclusões, sobre as quais não vamos comentar. Dona Marisa desistiu do imóvel do qual tinha comprado cota em 2009, não em 2011, e ele foi vendido para terceiros pela OAS Empreendimentos. A família tinha direito de manter como cota o investimento feito, e o declarou no imposto de renda. A conversa entre Renato Duque e o ex-presidente não aconteceu quando Lula estava no cargo, mas em 2014, quando Lula já tinha deixado o cargo há 3 anos, e Duque já não estava na Petrobras há 2 anos. Ou seja, tudo que a senhora escreveu sobre isso é inteiramente sem base factual, uma fantasia. Seria importante que a senhora reconhecesse seus equívocos e transmitisse a informação correta para seus leitores, telespectadores e ouvintes das organizações Globo, para que eles tenham contato com os fatos como eles são. Seria importante também que acompanhasse com rigor aquilo sobre o que opina. Sem sequer acertar os fatos, não há opinião embasada ou cobertura jornalística, mas propaganda política que a senhora faz dos processos sobre o ex-presidente na condição não de jornalista, mas de torcedora e propagandista da acusação.

Assessoria de Imprensa do ex-presidente Lula

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Defesa de João Vaccari Neto rebate acusações de Marcelo Odebrecht

A defesa do Sr. João Vaccari Neto vem a público para reiterar que a informação do ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, de que o Sr. Vaccari sabia sobre pagamento de propina ao PT, feitos pela empreiteira, não passam de afirmação de um Delator, sem qualquer base probatória, até porque não reflete a verdade. Palavra de Delator não é prova no processo penal brasileiro.

O que é verdade é que o Sr. Vaccari, cumprindo seu dever de tesoureiro, a partir de 2010, solicitava doações, a pessoas físicas e jurídicas, destinadas ao Partido dos Trabalhadores, todas elas legais, por via bancária, com emissão de recibos e sob fiscalização das autoridades competentes."

São Paulo, 13 de abril de 2017

Prof. Dr. Luiz Flavio Borges D'Urso

segunda-feira, 27 de março de 2017

Carta de José Dirceu ao site Nocaute

José Dirceu

Na sentença da minha recente condenação — processo Apolo-Petrobras, na qual me sentenciou, por corrupção e lavagem, a onze anos e três meses de reclusão —, Moro afirma “permanece preso”. Estou preso há vinte meses, embora condenado em Primeira Instância. Logo, com direito a responder em liberdade, até pela decisão do STF de trânsito em julgado em Segunda Instância para execução da pena. 

Moro não cita, mas ele renova minha prisão de 27/7/15, executada em 3/8/15, quando da minha condenação em 19/5/16, pelas mesmas razões e motivos, no processo Engevix-Petrobras, em que me condenou a vinte anos e dez meses. Diz que a referida prisão cautelar é instrumental para aquela ação penal! 

Apresenta seus argumentos, relata que o pedido de Habeas Corpus foi rejeitado e mantida a prisão na 4ª Região do TRF e no STJ. No STF, diz que o ministro Teori indeferiu o pedido de liminar, mas, como sabemos, não entrou no mérito. Nós agravamos, e o ministro Fachin, substituto de Teori, negou o HC considerando ter havido supressão de instâncias, o que nos levou a agravar na Segunda Turma. Assim, meu pedido de liberdade, no HC, ainda será votado. 

Como os ministros Fachin e Toffoli têm rejeitado as razões para as prisões preventivas de réus — como exemplo, os casos de Alexandrino Alencar, Fernando Moura e Paulo Bernardo —, e os ministros Marco Aurélio e Gilmar Mendes também têm se manifestado na mesma direção, Moro se antecipa e, na sentença, apresenta seus argumentos: os mesmos da prisão em 3/8/15 e da condenação em 19/5/16. 

É importante frisar — porque essa é a base do meu argumento —, que se trata da mesma prisão. Portanto, meu pedido de HC não suprime instância e não tenho que recomeçar a cada “nova prisão” decretada por Moro. No TRF, porque seria uma “chicana” de autoridade coatora para me manter 20 meses preso sem culpa formada em última instância, uma negação da presunção da inocência. 

Para manter minha prisão em 19/5/16, ele alegou: riscos à ordem pública, gravidade dos crimes, prevenir reiteração deletiva. Apresenta como fato, e prova, que durante julgamento da AP 470, que durou de agosto de 2006 a julho de 2014, “persistiu recebendo propina de esquema criminoso da Petrobras”. E finaliza afirmando que nem minha condenação na AP 470 serviu para me impedir de continuar … “recebendo propinas!”. 

Ora, minha condenação no processo Engevix-Petrobras não transitou em julgado, logo tenho a presunção da inocência, não a culpabilidade. Ou Moro já a revogou? Mas Moro vai mais longe. Diz que “o produto do crime não foi recuperado, há outras investigações em andamento e ainda não foi determinada a extensão de minhas atividades”!!! 

Então Moro já me condena sem sequer ter me investigado? Ousa ainda mais. Diz que tenho papel central nos contratos da Petrobras e era considerado responsável pela nomeação do ex-diretor Renato Duque. Moro não tem uma prova sequer de que eu tinha “papel central” na Petrobras. Não existe nenhum empresário ou diretor da Petrobras à época que o afirme; não há um fato, uma licitação, um gerente, um funcionário, que justifique ou comprove tal disparate. 

Mesmo assim, eu não obstruí a instrução penal e estou cumprindo a pena. Logo, não ameaço a execução penal. Estou preso há três anos. Isso mesmo, três anos. Fui preso por Moro estando preso na AP 470, na qual já fui indultado pelo STF. 

Para me manter preso, Moro alega ameaça à ordem pública, de forma genérica, e que o produto do crime não foi recuperado, expondo mais uma de suas razões sem base nos fatos. Estou sem renda há três anos e todos os meus bens estão sequestrados e arrestados e — com exceção de dois — confiscados. 

A questão central é que não há base legal para a manutenção da minha prisão preventiva, a não ser para comprovar o ditado de que “os fins justificam os meios”, mesmo violando a Constituição. Por saber da fragilidade de suas razões — a única “prova” que Moro tem contra mim é a palavra dos delatores Milton Pascovich e Julio Delgado —, o juiz apela para pré-julgamentos e acusações genéricas de olho na opinião pública, como instrumento de pressão sobre o STF. 

Vários ministros da Corte têm decidido que a prisão preventiva é uma exceção, só adotada em último caso, e têm destacado a alternativa do artigo 319 do Código do Processo Penal, a prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Esses ministros não têm aceito razões genéricas sobre ameaça à ordem pública e econômica para a instrução e execução penal, sem fatos concretos, como argumento para manter as prisões preventivas. E muito menos o próprio crime e sua gravidade de que é acusado o investigado e/ou réu, razão para a pena e seus agravantes e não para a prisão preventiva. No meu caso, insisto, estou preso há vinte meses! 

Todos os votos dos ministros são públicos e sinalizam como o “método Moro” traz um entendimento próprio e casuístico sobre a prisão preventiva. Para não falar inconstitucional. Daí o apelo do juiz “à opinião pública”, seus artigos nos jornais, onde, na prática, ele confessa que as prisões visam as delações e são fundadas em razões, supostamente éticas, acima e fora da lei!

terça-feira, 7 de março de 2017

Íntegra da transcrição da conversa entre Josley Batista e Michel Temer

[Joesley]: E aí, doutor, Tudo bem? Tudo bem? Faz tempo que a gente não se vê.
[Presidente Temer]: Hein?
[Joesley]: Faz tempo que eu não te vejo.
[Presidente Temer]: É que você está fora do Brasil. Soube que você estava morando […]. Está nos Estados Unidos?
[Joesley]: É… tudo bem? Tô ficando muito, muito, a maior parte é lá. Como é que está a correria?
[Presidente Temer]: Sabe que eu era tão feliz e agora sabe como é, né, cheio de compromissos, né? E aqui, primeiro, que você sabe que eu estou fazendo dez meses e parece que foi ontem, né? Parece que foi ontem e parece que foi uma […], são duas coisas. Segundo, que tenho uma oposição complicada […] no começo, né? Eles começaram: “golpe, golpe, golpe”, daí não passou. Aí “economia não vai dar certo, não vai dar certo”, e daí começou a dar certo e daí os caras estão num desespero, entendeu? Primeiro, que eu tenho o apoio do Congresso, se eu não tenho o apoio do Congresso, eu tô ferrado…
[Joesley]: Muito grande, né?
[Presidente Temer]: Tenho apoio da imprensa, enfim, mas vai dar certo, nós vamos atravessar isso daí, você vai ver. Vamos chegar no final deste ano já muito melhor. E em 2018 vamos comemorar.
[Joesley]: Com certeza. Sabe que nós vamos chegar, é isso mesmo, vamos chegar no fim desse ano olhando pra frente, […] Olhando…
[Presidente Temer]: Já começou, modestamente e tal, mas já começou. E uma coisa que eu não esperava que começasse agora.
[Joesley]: Muito rápido. Foi muito rápido, porque você está falando dez meses, mas, na realidade…
[Presidente Temer]: Há seis começou, né?
[Joesley]: Então, porque teve aquele periodozinho ali muito duro, né, que não podia fazer nada, que não…
[Presidente Temer]: Seis meses como titular e olha o que nós já fizemos. O teto dos gastos, a reforma […] aprovamos a […], eu acho que estava lá há dez meses e não se votava, aprovamos a admissibilidade da Comissão Nacional da Justiça, fizemos um grande acordo trabalhista, que acordaram sobre padrão das centrais sindicais. Muito rápido.
[Joesley]: Muito rápido. Muita coisa e muito rápido.
[Presidente Temer]: É.
[Joesley]: O… a economia está bem, vai ter que baixar o juro rápido, porque a expectativa foi muito rápida, né? A reversão da expectativa.
[Presidente Temer]: […] desce mais um, vai descendo responsavelmente.
[Joesley]: E você sempre tem que deixar o mercado com a sensação de que foi pouco. Tem que ficar na sensação de que…
[Presidente Temer]: Tem razão.
[Joesley]: Não pode tomar a dianteira. Que você vê, o Banco Central baixou 25, depois 25, aí quando ele deu aquele 75, o mercado deu uma animada, só que aí já esperava 1, aí deu 75, é muito, 75 é muito, aí deu 1! O mercado: Pô, agora vai dar 1? O mercado vai achar pouco, pô, mas só 1, tinha que ser 1,5. Não, tá bom, presidente, é tarde, deixa eu te falar. Primeiro, eu vim aqui roubar dois, três minutinhos de você […]. Primeiro, que eu não tinha te visto, né, desde quando você assumiu.
[Presidente Temer]: […] Quando eu assumi, não?
[Joesley]: Não, não, antes de assumir.
[Presidente Temer]: Antes de assumir. Dez meses.
[Joesley]: Eu estive contigo no teu escritório, dez dias antes ali…
[Presidente Temer]: É. Isso.
[Joesley]: …quando estava ali naquela briga ainda, naquela guerra pela…
[Presidente Temer]: Tem razão.
[Joesley]: … pela rede social…
[Presidente Temer]: Tem razão.
[Joesley]: … e tal e coisa de golpe e tal. Mas, tudo bem, e aí, enfim, de lá pra cá eu vinha falando com o Geddel, enfim, e aí também não…
[Presidente Temer]: Deu aquele problema… Aquele idiota… foi confiar nos outros dá nisso.
[Joesley]: Bobagem.
[Presidente Temer]: Uma bobagem que eles fez, agora, sem consequência alguma…
[Joesley]: Não precisava daquilo.
[Presidente Temer]: E o cara aproveitou pra fazer um carnaval.
[Joesley]: Mas eu vinha falando com o Geddel, andei falando algumas vezes com o Padilha também, mas agora que o Padilha adoeceu, ficou adoentado, enfim, aí eu fiquei meio… falei “deixa eu ir lá pra dar uma… “. Queria primeiro dizer o seguinte: “tamo” junto aí, o que o senhor precisar de mim, viu, me fala.
[Presidente Temer]: Está bom, mas tem que esperar passar essa…
[Joesley]: E vim te ouvir um pouco, como é que o senhor está nessa situação toda aí do Eduardo?
[Presidente Temer]: O Eduardo tentou me fustigar.
[Joesley]: Eu não sei, como é que está a situação?
[Presidente Temer]: A defesa, o Moro indeferiu 21 perguntas dele que não tem nada a ver com a defesa dele. Era pra amedrontar: “Eu não fiz nada, eu não sei o quê”, e no Supremo Tribunal Federal, olha só, que fatalidade. E ele está aí, rapaz, mas […]…
[Joesley]: É, eu queria falar assim, muito aqui na… dentro do possível, eu fiz o máximo que deu ali, zerei tudo o que tinha de alguma pendência daqui pra ali zerou, tal, doutor. Já liquidou tudo e ele foi firme em cima, ele já estava lá e veio, cobrou, tal, tal e tal. Pronto, acelerei o passo e tirei da frente. O outro menino, o companheiro dele que tá aqui, né, que o Geddel sempre tava…
[Presidente Temer]: Lúcio… […]
[Joesley]: Isso, que o Geddel é que andava sempre ali, mas o Geddel também com esse negócio eu perdi o contato, porque ele virou investigado e eu também não posso encontrar ele.
[Presidente Temer]: É complicado. […]
[Joesley]: Isso. O negócio dos vazamentos. O telefone lá do Eduardo com o com Geddel, volta e meia citava alguma coisa meio tangenciando a nós e não sei o quê, e eu tô lá me defendendo. Como é que eu… o que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora? Eu tô de bem com o Eduardo.
[Presidente Temer]: Tem que manter isso, viu? […]
[Joesley]: Todo mês, também, e tô segurando as pontas, tô indo. Nesses processos eu tô meio enrolado aqui, né, no processo assim…
[Presidente Temer]: Você está sendo investigado.
[Josley]: Isso, é, investigado, eu não tenho ainda denúncia. Aqui eu dei conta de um lado do juiz, dá uma segurada, do outro lado o juiz substituto, que é um cara que fica…
[Presidente Temer]: Está segurando os dois?
[Joesley]:
[Presidente Temer]: Ótimo, ótimo.
[Joesley]: Segurando os dois. E eu consegui um procurador, dentro da força tarefa, que está também me dando informação, e eu lá que eu tô pra dar conta de trocar o procurador que está atrás de mim. Se eu der conta, tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é que dá uma esfriada até o outro chegar e tal, e o lado ruim é que se vem um cara com raiva ou com não sei o quê…
[Presidente Temer]: […]
[Joesley]: O que tá me ajudando, tá bom, beleza. Agora o principal é o que está me investigando. Eu consegui colar um no grupo. Agora eu estou tentando trocar…
[Presidente Temer]: O que está […]?
[Joesley]: Isso… tô nessa aí. Então tá meio assim, ele saiu de férias, até essa semana eu fiquei preocupado que saiu um burburinho de que iam trocar ele e não sei o quê. Eu tô com medo, eu tô só contando essa história para dizer assim: Eu tô me defendendo aí, tô me segurando e tal, os dois lá tô mantendo, tudo bem. Mas antes… o Geddel estava aqui com aquele negócio da anistia e quase não deu.
[Presidente Temer]: Quase… […] empresariais que vão dizer que você […] são nossos. Se todos se reunirem e fizerem isso […], mas se todos fizerem isso.
[Joesley]: Sabe que eu estive até com o presidente Lula, na época, lá no dia, que o PT, parte do PT… “ah, o Paulo Pedro não sei o quê…” – “pô, presidente, mas…” “ô, eu quero uma aguinha, um…”. “Água que você quer?” Todo mundo…
[Presidente Temer]: […]
[Josley]: Então, isso foi um negócio que… o negócio da autoridade também era outra, né? A autoridade.
[Presidente Temer]: Dos depoimentos?
[Joesley]: Porque, ô, Presidente, eu não sei o quanto o senhor está ao par assim de um pouco de verdade das coisas, mas é uma brutalidade, um negócio assim… O negócio é o seguinte: há duas semanas atrás, três semanas atrás, um garoto, que eu nunca ouvi falar, que ninguém conhecia, que trabalhava lá com o Lúcio, que era do financeiro lá, não conheço, nunca vi, ninguém nosso nunca viu, nunca nada, e o menino disse assim: “Ah, porque eu ouvi falar do Lúcio que não sei o quê, eu ouvi falar de..”. Pô, me rendeu um Fantástico, um Jornal Nacional, e um não sei o quê, e uma confusão… Ainda bem que eu tenho boa relação com a imprensa e consegui rapidamente… Aquietou. Foi um dia, dois, pronto, parou. Mas é um… Tudo bem. Sobre esse ponto aí também estamos tocando.
[Presidente Temer]: […]
[Joesley]: Consegui. Tô fazendo um… 50 mil por mês do rapaz e tal, pra ele me dar informação, pelo menos me dar informação. “Ah, teve reunião, falou isso, falou daquilo”. O bravo é…enfim, mas vamos lá. Eu queria falar sobre isso e falar como é que é que… pra mim falar contigo, qual é a melhor maneira, porque eu falava com o Geddel… Eu não vou lhe incomodar, evidente…
[Presidente Temer]: […]
[Joesley]: Eu sei disso. Por isso é que…
[Presidente Temer]: […] é o Rodrigo.
[Joesley]: É o Rodrigo? Ah, então ótimo.
[Presidente Temer]: […] da minha mais restrita confiança.
[Joesley]: Eu prefiro combinar assim, se for alguma coisa que eu precisar, tal e tal, eu falo com o Rodrigo. E se for algum assunto desse tipo aí…
[Presidente Temer]: […]
[Joesley]: Funciona super bem à noite, onze horas da noite, meia noite, dez e meia, venho aqui, converso uns dez minutinhos, meia horinha, vou embora… Tá. Falar de outra coisa aqui. O Henrique, como é que você está com o Henrique?
[Presidente Temer]: Tá muito bem. Tranquilo.
[Joesley]: Tá tudo bem?
[Presidente Temer]: Quer dizer, ele concorda, não que vai acontecer isso aqui, mas ele faz o que eu […] muito bem.
[Joesley]: Ele é trabalhador. Ele é trabalhador.
[Presidente Temer]: É trabalhador. […] o que essa gente fez com o Brasil é inacreditável. É inacreditável. Mas o Henrique vai muito bem comigo. Eu chamo ele pra trabalhar…
[Joesley]: E ele gosta.
[Presidente Temer]: Ele gosta.
[Joesley]: Ele gosta de trabalhar. Você não chama ele pra ir pra praia. Se você for pra praia e chamar ele, ih…
[Presidente Temer]: Não tem graça.
[Joesley]: Agora, se falar: “não, vamos trabalhar”. Eu tenho o Henrique como muito disciplinado, lógico, tenho uma relação ótima com ele. E eu tive assim, o não sei, eu já andei falando com ele alguns assuntos, conhecendo ele, ele é […] pra caramba, né, presidente? Um dia eu falei com ele. […] e tal e ele: “aquilo lá, não, faz as coisas e tira fora”. “Mas não é você que manda nessa merda?” “Não, aquilo lá”…
[Presidente Temer]: […].
[Joesley]: Então, aí que eu quero… Um dia eu falei assim: “Henrique, precisa mexer na Receita Federal, porra. Tanto tempo aí.”. – “tenho um monte de coisa pra fazer”. “Ixe, não. Não posso mexer.”. Aí… BNDES. Não, BNDES é planejamento. Mas foi você que botou a Maria Silvia lá! Não, não, é do Jucá… É outro…
[Presidente Temer]: […] ligou, acertou e tal. […]
[Joesley]: Queria ter alguma sintonia contigo, pra quando eu falar com ele, ele não jogar “Ah não, o Presidente não deixa, não quer.”. Pô, Henrique, mas você é muito banana, você não manda porra nenhuma.”. [Risos] Aí eu falei com… […] aí era o… o Presidente do CADE ia mudar, mudou ou botou alguém aí.
[Presidente Temer]: Já mudou.
[Joesley]: Já mudou? Isso. Aí falei: Ei, pô, presidente do CADE. Ah, isso aí… Quero dizer o seguinte, resumindo, eu também não sei se é hora de mexer em alguma coisa, porque dentro do contexto geral, também não quero importunar ele, também… se eu for mais… que eu trabalhei com ele quatro anos, se for mais firme nele “pô, Henrique, tem que…” eu acho que ele… acho que ele corresponde.
[Presidente Temer]: Ele, você sabe, […] maiores […], a vinda dele pra mim, foi por você.
[Joesley]: Isso. Até voltando um pouco, ao Carlos Eduardo, na época… “Ó, briguei lá, tal… Ó, agora tem que ver se…”, enfim, tudo bem, aí ele, uns quinze dias antes dele…, o Eduardo, aí ele veio e deu uma cobradazinha em mim. “Ó, agora tenho que trabalhar, né, e não sei o que e tal”. “Eduardo, não é assim também, espera aí, não é assim não.”. “Ah, mas puta que pariu.”.
[Presidente Temer]: Aí deu no que deu.
[Joesley]: Aí deu no que deu. Aí eu falei: “Eduardo… – Uns quinze dias antes – Eduardo, não é assim, não, espera aí.”. “Não, pô, você tá com a Ferrari aí?”. Porque ele se referia, que ficou Fazenda, Banco Central… Banco Central perdeu status de Ministro, né? Pô, o Henrique ficou muito prestigiado, né? Mas espera aí, o Henrique também não vai sair fazendo […]. Queria só, não sei se eu… te dar um toque em relação a isso, em relação a… eu não sei o quanto eu vou mais firme no Henrique, o quanto eu deixo ele com essa pepineira dele aí e tal… Enfim.
[Presidente Temer]: […]
[Joesley]: Se ele jogar pra cima de você, eu posso bancar e dizer assim: Não, não, qualquer coisa eu falo com ele.
[Presidente Temer]: […]
[Joesley]: Pronto. Qualquer coisa… Ah, então. Lógico, lógico. Eu não vou falar nada descabido. Agora, esse presidente do CADE […] falei com ele: “Henrique, é importantíssimo ter o Presidente do CADE ponta firme.”.
[Presidente Temer]: […]
[Joesley]: Já foi. Já foi. Em Janeiro agora. Eu falei pra ele. Ele já foi nomeado Presidente.
[Presidente Temer]: Tem que ter uma conversa franca.
[Joesley]: Não sei, então, talvez… Por exemplo, agora tá o Presidente da CVM pra trocar, não trocar… É outro lugar, é fundamental. E aí, queria assim…
[Presidente Temer]: Você poderia falar com ele.
[Joesley]: Mas é que se eu falar com ele e ele empurra pra você, eu poder dizer: “não, não, não, espera aí”.
[Presidente Temer]: Pode fazer.
[Joesley]: Só isso que eu queria ter esse alinhamento, pra gente não ficar… E pra ele perceber que nós estamos…
[Presidente Temer]: […]
[Joesley]: Mas quando eu digo de ir mais firme no Henrique é isso. Falar: Henrique, porra, mas você vai levar? Você vai fazer isso? Vô. Então tá bom. Então que ele venha. Pronto, é só esse alinhamento só que eu queria ter…
[Presidente Temer]: Pode fazer isso.
[Joesley]: E todos, em termos assim mais amplos, assim, genéricos… Quando eu falar um negócio, bom, pelo menos vai, consulta lá, vê. O negócio do BNDES lá, da operação, Geddel me falou que teve todo empenho…
[Presidente Temer]: […] não sei exatamente quem […] e eles queriam que […]
[Joesley]: Não deu de um jeito, mas deu do outro, então, tá, e deu certo.
[Presidente Temer]: […] eu chamei e ela veio me explicar. Daí […] mas nós fizemos de outro jeito e deu certo. Então ela…
[Joesley]: É, o BNDES está bem travado. Esse negócio do BNDES é outra. […] influência […] E Maria Silvia está falando com quem? Parece que tá problemático, viu?
[Presidente Temer]: […]
[Joesley]: Então.
[Presidente Temer]: […] eu não sei porque tem dois servidores lá que estão com os bens indisponíveis […] os caras não podem mexer e por isso eles estão com medo de mexer em qualquer coisa. Está com uma verba lá de 150 bilhões. […]
[Joesley]: É isso que eu quero. Se ele escorregar eu digo ó, consulta lá.
[Presidente Temer]: Consulta o presidente.
[Joesley]: Consulta e me fala. Tá bom. E Geddel, você tem visto ele?
[Presidente Temer]: Falei com ele hoje por telefone. Mas ele […]
[Joesley]: Ah, é? E ele? Exatamente. O Lula vai voltar? Como é que vai ser as eleições em 2018?
[Presidente Temer]: Não sei. Está desempenhando como nunca […] está ruim, realmente está ruim, está pesado, está quebrada a economia etc. etc., mas eu acho que quando melhorar bem a economia […].
[Joesley]: Com certeza. Casa que falta pão não tem União. Não é assim? Não tem nenhum remédio melhor do que as coisas bem financeiramente… Todo mundo acalma, todo mundo… E no TSE, como é que está?
[Presidente Temer]: O negócio tá com o Herman Benjamin agora. Um troço meio maluco, não consigo […] primeiro que eu acho que não passa negócio da minha cassação, não passa, porque eles têm uma consciência política ‘porra, mais um presidente’. Primeiro. Segundo, […]. Terceiro, caso tenha a procedência da ação, não perco os direitos políticos e uma procedência tem recurso no Supremo e até aí já terminou o mandato. […]
[Joesley]: Então tá bom. Puta que pariu…
[Presidente Temer]: Os aborrecimentos que você tá tendo também, né?
[Joesley]: É duro, Presidente, pelo seguinte. Igualzinho o senhor aqui também, a gente fica equilibrando os pratos. Nós não temos só isso. Tem a empresa, tem o concorrente, tem os Estados Unidos, tem o dia a dia, tem a empresa, e isso de repente tem que parar por conta de resolver coisa… Eu falo lá pro Procurador, eu digo “Dr. Procurador, o senhor quer me investigar, não tem problema. Mas não fica dando solavanco, não. Não fica… sabe, dando solavanco e fazendo medidas… escancaradas, divulgando pra imprensa… Doutor, é o seguinte, eu posso estar certinho, mas eu vou chegar lá morto de tanto solavanco que o senhor vai me dar, se estiver 100% certo, eu morro. Para com isso.”. Da última vez eu falei: “faz um favor pra mim, me denuncia de alguma coisa”. E ele disse: “Mas não tenho nada pra denunciar”. “Então inventa. Para, porque eu não aguento. Se o senhor ficar desse jeito, o senhor vai me quebrar.”. Puta que pariu. E eu sei que o seguinte… Mas tudo bem. Nós somos do couro grosso, né? Vamos lá.
[Presidente Temer]: Vai passar. Vai passar. Não vai ficar a vida toda assim, né?
[Joesley]: Tem… Como se diz, tendo os pés no chão, também, passar vai passar. Tá faltando, talvez, presidente, quando estava ali falando da anistia, o negócio da autoridade… a gente tinha uma coisa objetiva pra lutar pelo que, né, não? Ó, estamos lutando, trabalhando… a gente tinha que pensar o quê? […] esses meninos eles não têm juízo. Não para. Vão ficar… Pum, pum, pum… Porque um delata um, que delata o outro, que delata um, que delata o outro… Delação com a verdade, não precisa provar nada. E você sabe de um negócio, que é o seguinte, eu até perdoo o… já teve uns quatro, cinco que delatou nós. Coisa estapafúrdia. Aquele Sérgio Machado, nunca vi esse cara na vida. Eu vi o vídeo. Eu fiquei pensando… que fala assim: Fala aí da JBS. Não, não tenho nada. Ah, mas então vai preso. Então não vai embora. Não, não conheço esse povo. Não, lembra… senão não fecho. Eu vi o vídeo, o pobre coitado do Sergio Machado que eu não conheço. Ele comemorando o último capítulo, era o JBS. Então fala o JBS. Aí ele decorou, leu um papelzinho lá, tal, tal, tal… Quando acabou: ah, acabou… Tá no vídeo.
[Presidente Temer]: O Sérgio Machado?
[Joesley]: É. Falando de JBS. Nós nunca passamos perto da Petrobras, da… Transpetro. Nunca vi esse Sérgio Machado na vida, nem ele, nem os filhos dele, nada. Mas o Procurador viu… Fala, senão… Fala. Lembra de alguma coisa. Qualquer coisa. Aí o cara… Ah…
[Presidente Temer]: Se pudesse degravar […]
[Joesley]: Eu fico imaginando, teve um menino, numa dessas operações, que estava preso, ele contando, ele teve que falar alguma coisa nossa. Ele contando, dá dó do cara. Falou: Gente, vocês não sabe. Eu fiquei quinze dias humilhado na cadeia, porque não tinha nada pra falar de vocês. Aí foi, foi, foi… eu falei. Você olha pro cara… De tudo que aconteceu conosco até agora, tem só um tal do PIC, que é procedimento investigativo criminal. Não tem nada, não tem uma prova, não tem um dinheiro meu no exterior que eu depositei, não tem uma… E no dia que aconteceu eu estava nos Estados Unidos. Eu liguei pro meu advogado, o que é isso? Ele também não sabia, é criminalista. Não, o delegado disse que não precisa se preocupar… É um PIC, procedimento Investigativo criminal. Só um procedimento investigativo. Tá bom. Meia hora falou ó, bloqueou as contas. Passou mais meia hora, ó, os bens estão bloqueados. Que coisa que não é problema? Passou mais meia horinha… Estão recolhendo os passaportes. Não pode viajar. Tá louco? Daqui a pouco… Ué? Procedimento investigativo tu é preso. Foi onde corri lá no Procurador, dei um seguro garantia de um bilhão e meio… Pronto, resolveu meu problema. Imagina se eu não consigo fazer um negócio desses? É muito desproporcional. Então, eu acho, Presidente, assim, tem que criar… não sei o que também, alguma agenda, alguma coisa. Eu estava lendo PSDB, né, esse choque aí. Agora estão se mexendo, dizendo: Não, não sei o que… […]
[Presidente Temer]: […] e daí começa a dar solução.
[Joesley]: Não vou tomar mais seu tempo não. Obrigado.
[Presidente Temer]: Bom te ver aí, viu.
[Joesley]: Adorei te ver. Nós estamos combinando o seguinte, ó, primeiro, precisando de alguma coisa a gente se fala.
[Presidente Temer]: Obrigado.
[Joesley]: Segundo, estamos lá nos defendendo. Terceiro, o negócio do Henrique, ótimo. E, enfim, se surgir alguma novidade… e se for urgente, eu…
[Presidente Temer]: […]
[Joesley]: Eu gostei desse jeito aqui. Eu vim dirigindo, nem vim com motorista, eu mesmo dirijo.
[Presidente Temer]: […] Rodrigo se identifica lá.
[Joesley]: Eu tinha combinado de vim com ele.
[Presidente Temer]: Ah, você veio sozinho?
[Joesley]: Eu vim sozinho, mas eu liguei pra ele era dez e meia, até por isso que atrasei cinco minutinhos. Aí deu nove e cinquenta mandei mensagem pra ele. Ele não respondeu, deu dez e cinco eu liguei. Cadê? Puta, eu tô num compromisso aqui, vai lá, fala… Eu passei a placa do carro e fui chegando e eles abriram, nem dei meu nome. Fui chegando, viram a placa do carro, entrei… funcionou superbem. O senhor vai mudar pro outro [Palácio do Alvorada]?
[Presidente Temer]: Eu mudei pro outro e fiquei uma semana lá […] Primeiro, tem lá embaixo, né?
[Joesley]: Conheço, conheço, o térreo.
[Presidente Temer]: Em cima, partindo da parte debaixo, então tem oito, dez dormitórios, tem cozinha, tem massagem […] e eu não consegui dormir […]. Falei: vamos voltar. E ela foi pra Bahia três dias e da Bahia daí não aguentei. […]
[Joesley]: É muito frio, aqueles vidrão… Como é que a Dilma aguentava ficar sozinha lá? Bom, deixa eu ir embora. Já é tarde.
[Presidente Temer]: Mas você tá bem disposto, né, Joesley?
[Joesley]: Tô bem. Deixa eu pegar…
[Presidente Temer]: Você emagreceu.
[Joesley]: Emagreci. Estou me alimentando bem. Comendo mais saudável. Mas não é comendo pouco, não. Tô comendo bastante. Mas coisa mais saudável. Menos doce, menos industrializado…
[Presidente Temer]: […]

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O PT e a eleição da Mesa Diretora do Senado

Em um momento de ruptura democrática e ofensiva conservadora como este que vivenciamos desde a consumação de um golpe de Estado no Congresso Nacional, nada mais natural que debates outrora considerados pouco relevantes ganhem uma imensa dimensão simbólica, como é o caso das eleições das mesas diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

O início de 2017 trouxe consigo um desafio para o PT e para o conjunto dos partidos de oposição ao governo ilegítimo: como garantir os espaços que a Constituição Federal reserva aos partidos e suas respectivas bancadas nas mesas diretoras da Câmara e do Senado, mas também e principalmente nas comissões permanentes de ambas as casas, se a vida real subordina a ocupação desses espaços institucionais de extrema importância a alianças com os partidos que constituem a maioria e que, nesta conjuntura, são os mesmos partidos que protagonizaram o golpe de Estado?
Agenda neoliberal

A possibilidade de as bancadas do PT na Câmara e no Senado apoiarem candidaturas integrantes do consórcio golpista à presidência das duas casas provocou uma intensa mobilização da militância petista e da militância dos movimentos sociais, que constroem no dia a dia as frentes de luta contra o golpe e contra a agenda neoliberal do governo ilegítimo.

Como não poderia deixar de ser, o debate foi levado à direção nacional do PT, que infelizmente abriu mão de dialogar com o sentimento da militância e devolveu a decisão para as bancadas.

Desde então, fizemos parte de um grupo de parlamentares que convocou a militância do PT para o debate, fomentando a participação e defendendo que, nesta conjuntura, não poderíamos de forma alguma fazer alianças com protagonistas do golpe. Não se trata de desconhecer a importância dos espaços institucionais para a disputa política, mas de reconhecer que a única trincheira de luta capaz de derrotar os golpistas, barrar as reformas neoliberais e resgatar a democracia via eleições diretas é justamente a trincheira da luta social.
História e identidade

O que vimos nos últimos dias foi um belo e aguerrido levante da militância petista, que demonstrou não apenas o sentimento da maioria, mas a vitalidade de um partido que tem história, identidade, legado e capacidade de luta.

Esse levante da militância petista e dos movimentos sociais contribuiu decisivamente para que a bancada do PT na Câmara, de forma unitária, rejeitasse votar em parlamentares golpistas e apoiasse a candidatura do deputado federal André Figueiredo (PDT) à presidência da Câmara, compondo um bloco de oposição que verbaliza no Parlamento as vozes das ruas.

Dessa forma, a bancada do PT na Câmara demonstrou estar conectada com a militância petista e com os movimentos sociais que constroem a Frente Brasil Popular e a Frente Povo sem Medo, animando a nossa base social para as difíceis batalhas que se aproximam, como as reformas da previdência e trabalhista.
Resistência

Mas, infelizmente, a bancada do PT no Senado optou por outro caminho. Superestimando a luta institucional e insensível ao apelo da militância, a maioria da bancada preferiu não tomar uma posição clara, autorizando os senadores e senadoras petistas a votarem como bem entenderem. É realmente lamentável.

Um equívoco político que cobrará seu preço. Mesmo em um momento de ruptura democrática, a maioria da bancada do PT no Senado optou por se render à institucionalidade, fechando os ouvidos para a opinião de sua militância e para as opiniões dos principais movimentos sociais que protagonizam a resistência democrática.

Além de expressar nossa decepção com essa atitude, queremos aqui agradecer a cada militante que atendeu ao nosso convite e participou desse debate. Não fomos de todo vitoriosos, mas a militância do PT demonstrou que é combativa, que está disposta a defender o nosso partido e corrigir seus rumos. A decisão da bancada do PT na Câmara demonstra que valeu a pena nossa luta.

Senadora Fátima Bezerra

Senadora Gleisi Hoffman

Senador Lindberg Farias

#ForaTemer #DiretasJá #NenhumDireitoAMenos”